sexta-feira, 25 de março de 2011

Encontro com a vida




As portas estavam fechadas, a sessão começaria às 14 horas e a ansiedade tomava conta do pessoal que se amontoava na entrada do cine Monumento.
Não poderia deixar de passar pela vitrine de doces, o filme não seria o mesmo. Dropes Dulcora,ki-bamba,balas toffe e outras guloseimas .
Era de pura exultação a espera. Conversa, flerte, expectativa, quem veio, quem não veio e o gongo tocava pela primeira vez.
As cortinas pesadas para a entrada eram de veludo verde musgo e precisavam ser empuxadas para topar a passagem. O lanterninha vinha com seu farolete e nos levava até um local desocupado.Tentávamos chegar na hora,mas a conversa lá fora era tão entusiasmada que deixávamos os assentos para última hora.
Quem senta perto de quem?E a bagunça começava ali, só sossegando quando o assistente de trás, deu um grito e todos se sentaram calados prendendo o riso.
Jerry Lewis,era muito engraçado.O rabo do foguete era sem dúvida algo hilário que merecia ser visto diversas vezes.E era o que fazíamos.Nos escondíamos nos assentos encolhidos e ficávamos de graça para a segunda sessão.
Os doces tinham acabado, e para isso tínhamos reservados os chicletes ping-pong que durariam o resto do dia e ainda seriam colocados na cabeceira da cama para um uso rápido no dia seguinte ou tomando-se mais cuidado, dentro de um copo com água para conservá-lo mais fresco.
Voltávamos falando sobre o filme. Era uma longa caminhada, não percebíamos porque a felicidade e alegria tomavam conta das nossas bocas.
Ficávamos na porta de nossas casas comentando sobre nosso programa e vibrávamos quando alguém mais aparecia, era a chance de contar  nossa emoção com muito mais entusiasmo,afinal nosso objetivo era deixar o  faltante com uma enorme inveja.
Era como nossos domingos eram feitos. Pura emoção, um passeio tão simples, mas que trazia muita fantasia, capaz de alimentar nossa imaginação por semanas, ou até que outro filme tomasse o espaço.
Filmes de poucos recursos, uns até grotescos para os dias de hoje. Mas quando as cortinas se abriam, nossas emoções eram milhões de vezes maiores dos que as de hoje. Criávamos em nossa fantasia, os efeitos que são praticados hoje com ajuda dos computadores, porque nossos mocinhos eram invencíveis e podíamos alcançar o céu,não tínhamos limites.
Gosto do cinema, ele reúne uma porção de pessoas que enchem de energia uma sala e suas vibrações como risos, gritos, medo, se juntam as minhas, tornando esse passeio recheado de força. Esse ânimo me aproxima um pouco mais da vida, essa mesma que  tenta me isolar de outros seres humanos. Combate o medo de estar, de compartilhar.
Que tal fazermos um passeio a moda antiga?Vamos ao cinema?

9 comentários:

  1. Também sou do tempo do drops dulcora,pirulito da kibom e do mentex,sinto saudades dessa época.Como você escreveu,vibrávamos com pequenas coisas.Seu texto me levou a refletir sobre um passado esquecido.Gostei dessa viagem.Parabéns pelo tema.Abaço

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  2. é Eva... estamos num tempo que acabamos alugando filme, vendo em TV a cabo, em casa... no sofá... vamos pouco ao cinema... tenho saudades da época em que a turminha se reunia para este gde evento... estamos sempre correndo, e aí fazemos sempre coisas práticas... sinto que perdemos algo que a grande tela tem a capacidade de trazer pra nós... SIM quero ir ao cinema... mas tb quero tudo que vinha junto com este gde programa outrora...

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  3. hmm que delícia heim Eva??? olha isso, menina, vamos a cinema.. qt tempo nao ouco isso :-)

    eu ia mt antigamente, tinha um cinema antigo em Manaus, que passava filmes tbm antigos, lembro de um italiano que vi lá, em preto e branco, vixi, faz tempo viu Eva?!

    antes era tao bacana ir ao cinema, ne? hj nem tenho vontade, sabe que tu me fez pensar em ir?? minha filha sempre vai com os amigos, sempre mesmo... caramba, taí uma boa coisa pra se fazer!

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  4. Oi titia, tudo bom? Por enquanto estou passando por aqui só para dizer o orgulho que tenho de vc. "tá sempre nas paradas do sucesso né?" Isso é muito legal. Todo mundo já tá comentando... " não é vc o sobrinho da Eva" e eu respondo... "Não, sou sobrinho da TIA Eva". Aí eles me entendem melhor.
    Um beijo tia.

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  5. Bruno querido.que surpresa!!sua mama escrever foi uma bruta surpresa,mas você.........nem palavras rsrsrsrs...tenho muitas saudades de todos vcs....um dia ainda quero passar o natal juntos...vcs seus filhos seu pai e mama,nono nonna e meus filhos..será que seria possivel...grande abraço sobrinho.

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  6. Nina !!!!estarei indo ao cinema amanhã,fiquei com vontade de fazer esse programa histórico esquecido por tantas pessoas...Vai sim,e tomara que vcs adorem o filme.Beijokas e obrigada pelo comentário.

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  7. Eva! Eu amo cinema!!! Vc sabe né?? até economizo nas pipocas pra poder ir hahaahhhahhah.

    Acho que as pessoas hoje se sentem pouco a vontade de ir ao cinema, querem é ficar em casa no seu conforto cotidiano.

    Eu quero é sair desse conforto e ir ver a tela mágica! Vc já assistiu Cine Majestic? muito bom!

    Sinto saudades de um tempo que eu não vivi, onde as pessoas iam ao cinema ver grandes filmes e sonhar na volta pra casa e não como hoje que os jovens só querem é ver filme de vampiros tontos, ou de alienigenas escatológicos, humpft.

    Bjk

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  8. Estamos perdendo o romantismo da vida,deixando que a nova tecnologia nos afaste das energias humanas....lembro quando fomos assistir o filme do navio que afunda....tb lembro de vc tentando abrir a porta do cinema como se nós estivessemos dentro do navio...isso é que é levar o cinema a sério rsrsrsrsr...obrigada pelos comentários JUliana.abraços

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  9. Titia, titia. Grande titia. Seria relamente um sonho fazermos novamente um natal com todos. Incluindo presentes, muitos presentes e Pseudo Presentes como em nosso último natal em São Pedro. Ou podemos fazer apenas os Pseudo Presentes, pois foi relamente um fenômeno. Foi fantástico ver o Renato ganhando sua própria carteira, a Silvinha ganhando uma estopa com bastante graxa e assim por diante. Não há valor que cubra essa alegria. Um grande beijo Tia. Bruno.

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