sexta-feira, 21 de abril de 2017

Acreditei...






Acreditei que se cortasse meu cabelo curtinho, estaria mostrando coragem pelo desafio que me foi lançado...Era apenas uma forma de me fazer feia,  meu cabelo era lindo e comprido....chorei dias...
Acreditei que se passasse óleo de cozinha e fosse para a praia tomar sol, como me aconselharam , ficaria bronzeada... Quase morri torrada...
Acreditei que se usasse no rosto o creme oferecido, ficaria com um bronzeamento rápido e bonito... Todos perguntavam se eu estava com hepatite...
Acreditei que chegaria facilmente no bolsão de areia porque via as pessoas com a água nos tornozelos... Quase morri afogada
Acreditei que as pílulas que minha nonna tomava, eram balas disfarçadas para crianças não pegarem...Tomei todas e por pouco não evadi para o céu.
Acreditei que dando muito amor não sofreria uma perda definitiva, acreditei que seria para toda vida... O meu primeiro amor, nunca mais o vi


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Dançar








Caminhos existem.
Quem segue tem a crença ou medo,quem sai tem desejos.
Abri a porta. 
Segurando minhas sandálias e a ponta do meu vestido negro, fui ao encontro da nova passagem escolhida.
No piso  azul de um vivacidade espetaculosa , timidamente dei precários passos, na tentativa de deixar toda aquela harmonia assumir o  que jazia morto  em mim.
Agitei o que assombrava meu coração e com os olhos fechados intui a sequencia dos movimentos das melodias .
Era a música me alforriando mais uma vez.
Olhando através do ombro seguro me deixei levar e com um grande sentimento, me deixei sonhar.
Como num verdadeiro número mágico,ao  saltar para fora do palco azulado ,visto novamente aquele casaco marrom e sigo com  meus falhos  passos em busca da felicidade fugaz. 





sexta-feira, 31 de março de 2017

O cavalheiro de chapéu branco









Ele se colocava num canto do salão, onde pudesse observar o rosto de cada senhorinha sentada em volta de uma mesa.
Via-se menino, sentado no alpendre da sua casa, observando os bois, vacas, cabritos e galinhas que andavam livremente pelo quintal a procura de algo para comer.
Descalço com seu chapéu na mão, cabisbaixo, pensava em como conseguiria fazer sua mãe sorrir.
Todos os sábados a tarde, tinha festa na fazenda e o pessoal se reunia para dançar e cantar.
Sua mãe, viúva,mulher madura, pesada e com sinais de cansaço,passava o dia todo se arrumando. Vestia seu melhor vestido, calçava seu único sapato e ia feliz com as amigas para o salão de baile da cidade. Passava algumas horas por lá, mas ele com seus oito anos não entendia o que acontecia para  ela voltar sempre  lacrimosa, triste e ficar durante a semana com o olhar choroso.
Quando cresceu um pouco mais e a acompanhou num baile, entendeu o que se passava.
Ela e muitas outras senhorinhas, nunca eram tirada para dançar.Passavam horas ali esperançosas,com o olhar iluminado na espera de que algum cavalheiro as tirassem para uma, apenas uma dança.O que nunca acontecia.Ele com seu coração acabrunhado sabia que não poderia fazer nada e chorava escondido pela dor da sua mãezinha.
Hoje, homem feito, tira à forra.
A cada senhora solitária, vai com todo seu charme e oferece seu braço para que elas o segurem e venham para o centro do salão e, lá ele as rodopia,segura em suas cinturas,faz passos e balanços até que consiga tirar delas um sorriso surpresa e então sente que está quites com sua mãe e também sorri.
Enquanto não dançar com a última senhorinha  esquecida na cadeira, não descansa e nem pensa em parar... É conhecido como Nho Nor o homem de chapéu branco, aquele que se tornou a felicidade das mulheres sem par.



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Chiclete











Depois de algumas horas lendo um livro da Agatha Christie, o sono bateu com um martelo na minha cabeça e com preguiça de levantar, me desfiz do delicioso chiclete que vinha me acompanhando por toda leitura. Rendida, estiquei o braço e o grudei gentilmente no travesseiro ao lado totalmente desocupado e acabei embarcando num profundo sono.
Na madrugada, eis que a vingança da preguiça apareceu para me assombrar.
Com dores de cabeça, acordei com meus cabelos sendo brutalmente puxados.
Sonolenta não conseguiu soltá-los e assustada fui eu os cabelos e o travesseiro para o banheiro.
Podia ver com o espelho lateral, alguns fios rosas torneando meu cabelo preto. (é que meus preferidos são os tuti-fruti) .Era o chiclete que eu tinha salvo para mais tarde (rsrsrsrsr) totalmente apoderado de minha cabeleira. 
Não pensando direito, aliás, não pensando, peguei a tesoura e cortei todos os cabelos grudados...
Hoje pela manhã, tive a bela surpresa da magnitude do corte... Acho que vou tosar zerinho... E ainda dizem que a terceira idade é uma idade de juízo... Pra quem?



sábado, 7 de janeiro de 2017

Piscina e bolo assando










Depois de muito tempo longe de qualquer tipo de férias ou algo que me lembrasse  delas,quando o único contato com a praia era a areia amontoada no quintal para  a reforma da minha casa,sabia que precisava mudar.
Estava em débito com meu lado positivo e deixando o negativo assombrar e mofar meus cantinhos já escuros.
Não olhei para trás porque sempre se acha alguma coisa deslembrada. 
Montei meu kit felicidade que continha: bronzeador, óculos escuros, toalha e muita alegria.
Estendida no sol, olhando para o azul forte da piscina e o azul claro no céu, fiz  prontamente uma relação: "O  perfume do bronzeador,o cheiro de cloro da piscina e o aroma da grama recém cortada" me reportaram para – “Bolo assando, cheiro de café e assoalho recém encerado”.Ou seja, estava em casa novamente.Mas insisti e fiquei me bronzeando por horas e finalmente dei os mergulhos que tanto gosto.
Refresquei a alma, lavei todas as impurezas acumuladas no meu telhado. Amanhã tem mais.São minhas férias que estão apenas começando.


sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

A casa da tia Silvia










Quem não quer?
É a casa onde todos são bem vindos.
Tem café, biscoito e bolo.
Tem riso e muita conversa.
Reuniões de família e amigos.
Uma árvore linda para balançar.
Um quintal imenso para poder voar.
Dois Pastores que fuçam tudo.
Três corações que se amam muito.
Tem até uma penteadeira com gavetas de vidro.
Nela as meninas vibram.
Com cremes, lápis e cores,mudam todo visual.
E assim as tardes passam, trazendo todo esse astral.
Um dia será uma grande lembrança,aquela casa cheia de encantos.



quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Arrumar a casa









Uma casa é um espelho da alma do morador.
Tanto faz se rica ou pobre, ela define com clareza quem é o construtor.
É juntar tudo o que gosta.
Consertar o quebrado, pintar o opaco, colocar tudo num espaço e sentir o resultado.
Pode usar papelão, madeira, cola.
Reciclar utensílios, vidros, revistas e sacolas.
Se alinhar tudo com o coração,
Terá um efeito cheio de paixão