segunda-feira, 18 de setembro de 2017

MULHERES: Madalena








Maquiar-se, usar saltos e sair toda enfeitada era mais do que um desejo, era uma necessidade de mostrar seu lado feminino.
Quando cruzava com o mulheril e proseavam, os assuntos em pauta eram sobre filhos, maridos e serviços domésticos.
Madalena queria muito mais do que isso, aliás, esses  assuntos eram os menos interessantes para ela, que tinha uma vontade extrema de se produzir.
Numa de suas andanças pela cidade, deparou com um som maravilhoso que saía de uma grande porta de uma construção.
Lá dentro, uma multidão dançava com tanto entusiasmo que cedeu a sua curiosidade e sorrateiramente foi pisando firme na sala de dança.
Logo ao tocar o centro da área musical, foi puxada pela mão de um cavalheiro que a trouxe para o meio da pista e com as mãos em sua cintura,a  foi  levando para mais perto da banda que tocava bem alto.
Surpreendida, seguiu os passos do condutor e ficou impressionada com sua fluidez.
Eram passos pra lá, passos pra cá, rodopios e braços que se trançavam.
Foi num final de semana quando ela,toda colorida, maquiada e de saltos bem alto, com um sorriso fascinante, embrenhando-se pelo salão, teve a certeza absoluta de ter encontrado seu lugar.
Madalena, nunca mais foi a mesma.






quarta-feira, 6 de setembro de 2017

MULHERES: Marcia












Seu coração estava fragmentado.
Acreditando que tudo seria para sempre, vestiu seu pesadelo, ajustou-o no seu corpo como uma mortalha e enfrentou o dia a dia com o mais puro desinteresse plausível.
Olhou pela janela e viu todas as suas lembranças de menina voarem para longe. Suas ilusões, devaneios se desfazendo e não acreditou que tudo estava realmente acontecendo.
Os preparativos do casório tinham passado tão rápido, que não tivera tempo de avaliar sua escolha.
Não queria se casar. Pelo menos com ele.
Seu grande sonho de encontrar alguém que lhe fizesse feliz, tinha acabado e temia  ficar sozinha.
Aceitou o pedido para sair da vidinha vazia e solitária e não ponderou as consequências.
O desejo de ser abduzida nas vésperas de sua boda não se concretizou, nem a fuga para um lugar distante.
Com seu vestido branco escorrido até os pés, um buque minguado de crisântemos nas mãos e uma pequena grinalda amassada, caminhou por aquele espaço como se fosse para um mosteiro. E tinha a mais profunda certeza que nunca mais voltaria a sorrir.







sexta-feira, 1 de setembro de 2017

MULHERES: Juliana










Juliana recebeu do seu amigo um folhetim, que continha a foto de dois jovens namorados e  uma pequena mensagem dela para ele no seu aniversário:" Nunca houve nem existirá ninguém no mundo que ame você como eu amo".
Seria lindo se aquele panfleto não fosse o anuncio da missa de um mês do próprio casal, impresso em papel.
Tinham sido atingidos por um trem um mês antes do casamento e morrido dentro do carro.
A moça  nunca mais foi a mesma. Não conseguia se desligar daquele papel fúnebre e levava-o durante todo seu dia para poder fitá-lo.
Olhava e lamentava o ocorrido.
Sofria e se colocava no lugar deles.
Chorava sem ao menos tê-los conhecidos.
Passaram os dias e ela sempre segurando e levando aquela noticia triste.
Combinou com as amigas de irem ao seu apartamento na praia por um final de semana, para aliviar a alma.
Contou a história do casal para todas as outras três e colocou a nota fúnebre de baixo do seu travesseiro.
Estavam dormindo em dois beliches. 
Juju dormia na parte superior de frente para a porta do quarto.
Num determinado momento, se viu sentada na cama e na sombra da porta aberta, entre o batente, viu o contorno em negro de um homem observando-a parado. No próximo momento, sentiu seu olhar sem ver seu rosto e a sua aproximação lenta a subir os degraus do beliche. Ajoelhou-se sobre sua cama e veio ao seu encontro engatinhando.
Juliana perguntava angustiada quem era ele e o que  queria e pedia que se afastasse. Em vão!
Quando estava prestes a ser tocada, soltou um grito de terror do fundo do seu cerne e assim ficou até que suas amigas que lhe faziam companhia ascendessem a luz do quarto e a socorressem.
A foto estava bem lá, de baixo do seu travesseiro, onde lhe pareceu que o personagem queria alcançar.   Era como se quisesse que ela parasse, deixasse-os em paz seguirem seus caminhos. 
Na manhã seguinte se despediu daquele que fora seu diário, terço, mantra por mais de um mês e rasgando-o jogou fora e fez de tudo para esquecer.
Sentiu uma paz... Voltou a sorrir.





quarta-feira, 30 de agosto de 2017

MULHERES: Luana











Tirada  da festa em que se reunia com seu amor e amigos, Luana, chorosa, voltou com seu pai para casa com a certeza de não poder persuadi-lo a deixa-la ficar.
Deitou-se para adormecer com seu corpo ainda tremulo de tristeza.
Às duas da manhã, levantou-se da cama, debruçou pela janela vestindo sua camisola e desceu até a calçada.
Podia sentir toda a umidade do amanhecer e deslizou pela calçada sem tocá-la até a esquina aonde ele e seus amigos chegavam com os instrumentos musicais para guardá-los.
Ficou ali estática pairando no ar, até que tudo fosse colocado no local certo, o carro guardado e seu amado se retirado para dentro da casa.
Observou cada rosto, o que faziam e gesticulavam.
Como quem volta de um caminhar, ela se voltou e seguiu até sua casa numa suavidade estranha, porém deliciosa de sentir.
Subiu pela janela e deitou-se.
Sentiu um arrepio que correu por todo seu corpo e levantou assustada com a sensação de ter saído realmente de si. Olhou as horas e marcou 02h20min da manhã.
Ao encontrar na tarde seguinte com seu namorado, descreveu toda a cena que havia presenciado de alguma forma.
Ficou surpresa quando ele sério confirmou todos os detalhes que ela deu, como verdadeiros, inclusive as horas.
Tentou tantas vezes outras saídas, mas foi sua primeira e única vez.


terça-feira, 29 de agosto de 2017

MULHERES: Marina









Marina ia à praia toda contente, sempre na esperança de conhecer alguém interessante que a tirasse daquela insistente solidão.
Já nos seus 19 anos, queria alguém maduro, alguém para casar.
Finalmente no seu último dia de praia,enquanto brincava de castelo na areia molhada, um jovem nos seus 25 anos apareceu e puxou uma conversa simples, apenas querendo informações sobre seu nome, do que ela gostava etc...
Surpreendeu-se com aquela figura madura e maravilhosa em sua frente e começou a falar sobre coisas que achava interessante.
Ele, depois de escutar sobre suas habilidades intelectuais sorriu e gritou um nome. Era de um adolescente de uns 14 anos, que se jogava na água como um sapo e deixava sua bermuda mostrar parte do seu traseiro enquanto a água escorria por suas pernas finas e sem pelos.
_Este é o Marquinho, meu primo que te viu e quer muito te conhecer. Agora vocês já podem conversar.
Retirou-se dali com uma rapidez despreocupada, deixando uma jovem  a  sentir-se  viúva e finalizando como uma babá.
Marina totalmente arrasada, ficou com raiva pela primeira vez de aparentar ser tão mais jovem do que sua idade real...


domingo, 13 de agosto de 2017

Doce desconhecido










A expectativa do desconhecido deveria fascinar a cada um de nós, assim teríamos os acontecimentos do dia, como enredos de uma história  e estaríamos ansiosos para os novos capítulos.
Deixar os dias ruins fluírem pelas horas do tempo ,porque os caminhos são mudados. 
Assim como a lua muda no céu, o sol dá lugar a escuridão, a chuva espaça para a bonança, nos mostrando que as diversidades acontecem e que "MUDANÇA" é o tópico principal da vida. 
Não conseguiremos descobrir exatamente o que surgirá à nossa frente, mas poderá ser algo que vai tirar nosso fôlego e o agradecimento pela vida se tornar tão precioso. 
Vale a pena esperar o dia seguinte...Algo absolutamente novo sempre pode acontecer....abra suas portas....não desista...


sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Vidas







Finalmente cheguei lá...
Troquei o título de rainha pelo de Neguinha.
Os que não me amavam ,pelo amor,as verborragias pelas palavras simples e trocadas.
Troquei os Problemas por pobremas,os menos por menas,o andando por andano.
Sou uma colecionadora de vidas e quanto mais diferente da outra, mais me fascina.
Viver numa só vida experiencias tão diversas pode confundir a cabeça de muitos, mas não a minha que permanece estática nas minhas convicções  mas absolutamente transformada de emoções.