sábado, 7 de janeiro de 2017

Piscina e bolo assando










Depois de muito tempo longe de qualquer tipo de férias ou algo que me lembrasse  delas,quando o único contato com a praia era a areia amontoada no quintal para  a reforma da minha casa,sabia que precisava mudar.
Estava em débito com meu lado positivo e deixando o negativo assombrar e mofar meus cantinhos já escuros.
Não olhei para trás porque sempre se acha alguma coisa deslembrada. 
Montei meu kit felicidade que continha: bronzeador, óculos escuros, toalha e muita alegria.
Estendida no sol, olhando para o azul forte da piscina e o azul claro no céu, fiz  prontamente uma relação: "O  perfume do bronzeador,o cheiro de cloro da piscina e o aroma da grama recém cortada" me reportaram para – “Bolo assando, cheiro de café e assoalho recém encerado”.Ou seja, estava em casa novamente.Mas insisti e fiquei me bronzeando por horas e finalmente dei os mergulhos que tanto gosto.
Refresquei a alma, lavei todas as impurezas acumuladas no meu telhado. Amanhã tem mais.São minhas férias que estão apenas começando.


sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

A casa da tia Silvia










Quem não quer?
É a casa onde todos são bem vindos.
Tem café, biscoito e bolo.
Tem riso e muita conversa.
Reuniões de família e amigos.
Uma árvore linda para balançar.
Um quintal imenso para poder voar.
Dois Pastores que fuçam tudo.
Três corações que se amam muito.
Tem até uma penteadeira com gavetas de vidro.
Nela as meninas vibram.
Com cremes, lápis e cores,mudam todo visual.
E assim as tardes passam, trazendo todo esse astral.
Um dia será uma grande lembrança,aquela casa cheia de encantos.







quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Arrumar a casa









Uma casa é um espelho da alma do morador.
Tanto faz se rica ou pobre, ela define com clareza quem é o construtor.
É juntar tudo o que gosta.
Consertar o quebrado, pintar o opaco, colocar tudo num espaço e sentir o resultado.
Pode usar papelão, madeira, cola.
Reciclar utensílios, vidros, revistas e sacolas.
Se alinhar tudo com o coração,
Terá um efeito cheio de paixão 


domingo, 4 de dezembro de 2016

Trilogia Um dia...







Ela vem chegando, ruidosa, fresca e totalmente esperada...
Usando seu vestido azul,cabelos presos num coque quase solto e com o rosto iluminado pelo sol,não conseguia esconder seu sorriso embora apertado.
Tinha esperado por aquele encontro alguns meses e depois de tanta conversa, achava que já poderiam se encontrar.
Ele estava lá, sentado num banco da praça, com sua camisa listrada e um pacote grande de presente nas mãos.
O abraço foi trocado e toda a falácia de quem acabou de se encontrar.
Embora ela  tentasse desviar, seus olhos sempre acabavam tocando no enorme embrulho muito bem decorado que ele mantinha ao seu lado.
Depois de ter atiçado tanta curiosidade sem dizer nada, entregou o pacote para ela e ficou quieto a fitá-la.
Sem graça, tentava com delicadeza desfazer os nós dos laços. Não queria demonstrar sua loucura ao abrir pacotes.
Pensava o que diria, se o beijaria, gritaria, por fim, que tipo de agradecimento lhe dedicaria.
Tirou todo o papel e encontrou uma caixa. Sentou-se quase sem respirar e colocou-a em seu colo, suspirou fundo e abriu.
Aquele homem lindo de olhos castanhos tão claros, que por meses tinha lhe enviado recadinhos graciosos de carinho e até paixão, estava ali na sua frente e tinha lhe trazido um presente. 
Ele tinha voltado de uma viagem da Europa e tinha pensado em agradar a ela. Nada poderia ser maior do que isso.
Que bom que ela estava sentada, porque dentro da caixa tinha meia dúzia de bananas.
Saber como reagir a isso foi mais difícil do que andar descalço sobre um formigueiro.
Ele ria da sua brincadeira.
Com seu sorriso costumeiro, ela se levantou e disse que tinha um presente para ele no carro e pediu licença para ir buscar.
Deslocou-se dali e o deixou esperando.
Foi para casa, colocou seu pijama e foi dormir.







Trilogia Outro dia...








Ele entrou pela porta frontal da loja .Zanzou pelos corredores e prateleiras em busca de enfeites para casa.
Aproximou-se do balcão e num vai e vem de perguntas e respostas sobre presentes, lembranças, falaram sobre crenças e filosofias mil.
Uma empatia mutua brotou dessa conversa, que deu origem a recorrentes visitas quinzenais.
Um homem mais  jovem,com uma profissão destemida,bonito e carismático.
Num determinado momento ao conversarem, seus olhos mudaram de cor e suas feições enrijeceram. Desferiu sua intenção de cortar a cabeça de um inimigo seu...
Ainda traumatizada pela ideia, ficou feliz de não ter compartilhado seu telefone e riscou o dele do caderninho que mantinha em segredo.




Trilogia E mais um dia...



Tinha os cabelos loiros longos e presos num rabo de cavalo, olhos azuis e muito mais alto do que ela. Idade compatível, estilo de vida um pouco mais simples.
Parecia um galã rustico de filme estrangeiro.
Vendia pipas e com as portas de sua casa abertas, recebia os compradores que entravam e saiam a vontade.
Ele e ela, trocavam palavras em conversas leves e rápidas.
Num certo momento, um menino entrou desengonçadamente na loja e pegou uma das pipas nas mãos para sentir melhor suas varetas e rabiolas . Aquele homem belo cruzou a conversa que desenvolvia tranquilamente com a moça e deu inicio a uma discussão com o moleque, que se sentindo acuado, deixou o local envergonhado. Foi tão ríspido e agressivo que teve o poder de levar todas as imagens poéticas para longe.
Ao entregar seu número de telefone sorrateiramente para a mulher, pediu que ligasse para conversarem mais e marcarem um café.
Ao sair do local calada, gentilmente pegou o pequeno papel amassado entre seus dedos e o jogou  na lixeira mais próxima da casa.



sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Verdade?








Sempre que sua verdade absoluta é contestada por outra verdade, o sentimento de perda e vazio tomam conta do seu espaço interior,até que com o tempo, o novo conhecimento passa a ser aceito como verdade absoluta. Melhor seria se as  verdades fossem entendidas apenas como sentimentos mutantes.Permanecem até que nossa inteligencia se desenvolva e se capacite em novas aberturas.


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Decorar é minha paixão













        DECORAR É MINHA                      PAIXÃO













Com vontade de criar,fiz um passeio pela minha casa.
Visitei gavetas,armários, baús, caixas,sacolas,todos os cantos e resolvi tirar do escondido todas as coisas que esquecidas ficaram sem uso.
Amontoei tantas coisas interessantes que de algum modo me agregavam algum valor.
Ou pelo colorido, ou pelo formato,pelo sentimental e até pelo puro esquecimento de doar,foram se acumulando em locais poucos visíveis.
As prateleiras do banheiro estavam cansadas das mesmas bituricárias (palavra inventada por mim para coisas sem uso específico),então comecei a criar ali mesmo, nas placidas, opacas e sem graça prateleiras de metal.
Fui equilibrando as cores,as formas e comecei a sentir uma leve energia saindo de mim e tomando conta da minha criação.
Quando estou fazendo o que gosto,minhas moléculas vibram e me tornam uma pessoa feliz, mesmo que não receba nenhum aplauso, me contento com essa alegria.
O resultado é o mesmo que uma confeiteira sente ao entregar um bolo magnificamente elaborado,uma costureira confeccionar um vestido arrebatador ,um escritor escrever o poema em perfeita simetria e o desenhista que  rabiscou sua obra em crayon .
Incrivel como algo tão pequeno e simples pode me fazer feliz.





sábado, 29 de outubro de 2016

A Decisão







La estava ela.... Debruçada na mesma janela, pensando em  possíveis escolhas. 
Seu coração, sempre selvagem, precisou esperar muito para afoitar-se em algum tipo de romance, nascido das suas loucas fantasias noturnas. 
Suas experiências, embora vestidas de brilho, se tornaram opacas em tão pouco tempo.Qualquer aproximação mais íntima, lhe causava um transtorno emocional, fazendo-a recuar e afundar-se em seu mundo introspectivo
Em sua maturidade, se viu numa situação tão ambígua e sabia que seria sua última chance de aparecer numa história de romance como astro. Se perdesse, estaria confinada a participar de pontas em outras histórias que não a sua própria.
Se desligando temporariamente da realidade,ponderava entre suas linhas ... E  então? Como decidir? Continuar com uma rotina familiar, tranquila, ou algo totalmente assustador. Um tipo de vida que me perpetraria brigar  todos os dias com o espelho por ele não reproduzir mais a imagem da moça bonita, me atassalhar  para estar mais jovial, bela, entusiasmada, cheia de projetos no qual já realizei?Ou aceitar os confortáveis chinelos cobertos de lãs, roupões, tevês, e adormecer todas as tardes no sofá sem culpa.      
Olhando em sua volta, observou ao lado da cadeira, o já famoso roupão, aquele que a abraçava todas as noites antes de dormir e logo a baixo, os seus chinelos de lã que aquecia seus pés nas noites frias.
Suspirou porque tudo aquilo lhe era tedioso e  foi andar pela casa a procura de alguma resposta que a fizesse desistir de tamanha loucura. 
Preparou seu café como se fosse o primeiro do dia, sentou-se na sua poltrona com o abajur ligado e se entregou aos seus devaneios.
Seus pensamentos lhe traziam alegria, emoção, fantasia, vontade de nascer, sair pelas ruas, passear, se aventurar e foi então que decidiu aceitar aquele convite para sair, escrito com tão mágicas linhas que a tiraram do seu chão.
Os dias passaram, o sol mudou de lado, o vento frio voltou a bater em sua janela e seus pés calçaram os chinelos confortáveis de lã. Seu rosto muito mais triste não entendia o porquê dele nunca ter retornado a sua resposta...