sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Verdade?








Sempre que sua verdade absoluta é contestada por outra verdade, o sentimento de perda e vazio tomam conta do seu espaço interior,até que com o tempo, o novo conhecimento passa a ser aceito como verdade absoluta. Melhor seria se as  verdades fossem entendidas apenas como sentimentos mutantes.Permanecem até que nossa inteligencia se desenvolva e se capacite em novas aberturas.


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Decorar é minha paixão













        DECORAR É MINHA                      PAIXÃO













Com vontade de criar,fiz um passeio pela minha casa.
Visitei gavetas,armários, baús, caixas,sacolas,todos os cantos e resolvi tirar do escondido todas as coisas que esquecidas ficaram sem uso.
Amontoei tantas coisas interessantes que de algum modo me agregavam algum valor.
Ou pelo colorido, ou pelo formato,pelo sentimental e até pelo puro esquecimento de doar,foram se acumulando em locais poucos visíveis.
As prateleiras do banheiro estavam cansadas das mesmas bituricárias (palavra inventada por mim para coisas sem uso específico),então comecei a criar ali mesmo, nas placidas, opacas e sem graça prateleiras de metal.
Fui equilibrando as cores,as formas e comecei a sentir uma leve energia saindo de mim e tomando conta da minha criação.
Quando estou fazendo o que gosto,minhas moléculas vibram e me tornam uma pessoa feliz, mesmo que não receba nenhum aplauso, me contento com essa alegria.
O resultado é o mesmo que uma confeiteira sente ao entregar um bolo magnificamente elaborado,uma costureira confeccionar um vestido arrebatador ,um escritor escrever o poema em perfeita simetria e o desenhista que  rabiscou sua obra em crayon .
Incrivel como algo tão pequeno e simples pode me fazer feliz.





sábado, 29 de outubro de 2016

A Decisão







La estava ela.... Debruçada na mesma janela, pensando em  possíveis escolhas. 
Seu coração, sempre selvagem, precisou esperar muito para afoitar-se em algum tipo de romance, nascido das suas loucas fantasias noturnas. 
Suas experiências, embora vestidas de brilho, se tornaram opacas em tão pouco tempo.Qualquer aproximação mais íntima, lhe causava um transtorno emocional, fazendo-a recuar e afundar-se em seu mundo introspectivo
Em sua maturidade, se viu numa situação tão ambígua e sabia que seria sua última chance de aparecer numa história de romance como astro. Se perdesse, estaria confinada a participar de pontas em outras histórias que não a sua própria.
Se desligando temporariamente da realidade,ponderava entre suas linhas ... E  então? Como decidir? Continuar com uma rotina familiar, tranquila, ou algo totalmente assustador. Um tipo de vida que me perpetraria brigar  todos os dias com o espelho por ele não reproduzir mais a imagem da moça bonita, me atassalhar  para estar mais jovial, bela, entusiasmada, cheia de projetos no qual já realizei?Ou aceitar os confortáveis chinelos cobertos de lãs, roupões, tevês, e adormecer todas as tardes no sofá sem culpa.      
Olhando em sua volta, observou ao lado da cadeira, o já famoso roupão, aquele que a abraçava todas as noites antes de dormir e logo a baixo, os seus chinelos de lã que aquecia seus pés nas noites frias.
Suspirou porque tudo aquilo lhe era tedioso e  foi andar pela casa a procura de alguma resposta que a fizesse desistir de tamanha loucura. 
Preparou seu café como se fosse o primeiro do dia, sentou-se na sua poltrona com o abajur ligado e se entregou aos seus devaneios.
Seus pensamentos lhe traziam alegria, emoção, fantasia, vontade de nascer, sair pelas ruas, passear, se aventurar e foi então que decidiu aceitar aquele convite para sair, escrito com tão mágicas linhas que a tiraram do seu chão.
Os dias passaram, o sol mudou de lado, o vento frio voltou a bater em sua janela e seus pés calçaram os chinelos confortáveis de lã. Seu rosto muito mais triste não entendia o porquê dele nunca ter retornado a sua resposta...




quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Tirando os sapatos





Adoro salto alto. Passo a maior parte do tempo me equilibrando em cima de um.
Vermelho, azul, preto, lilás, não importa: _ Os saltos precisam ser altos!
Toc toc pra lá e toc toc pra cá, mesmo na faxina, eles estão nos meus pés.
Quando uma mulher como eu, que só não os usa para dormir, de repente, num acesso de fúria, os arranca dos pés e os joga bem longe, o melhor é correr, porque o bicho pegou e ele pode voar sobre a sua cabeça desavisada, na cabeça de alguém desafinado cantando uma ópera ou até sobre uma cara de paisagem...(Nem tanto) Mas hoje tirei meus sapatos, porque depois de dias atrás de um encanador para fazer parar os pingos irritantes do meu chuveiro,não apareceu um.
Atendiam o telefone, perguntavam o problema e diziam que viriam mais tarde.
Cansada de promessas enganosas, me armei das minhas três  únicas ferramentas - uma chave de fenda, um martelo e uma chave inglesa quem nem imagino como chegou aqui.
Desliguei a água da rua depois de ter tomado uma boa esguichada  gelada.
Não conseguindo desmontar a peça macabra, procurei ajuda no Google e por misericórdia do além, achei um site só para mulheres de salto como eu.Usei meus instrumentos da melhor maneira e consegui desmontar.
Levei numa casa especializada e eles aprontaram  um outro registro igualzinho para mim.
Ajustei o registro novamente, apertei o melhor que pude e tcham!,  tcham!,  tcham ! Vazou água por todos os lados. Não desisti, desmontei tudo novamente,coloquei mais uma borrachinha onde já tinha uma, apertei até minhas veias saltarem do pescoço e maravilha,estou aqui escrevendo o meu feito e nem uma gotinha estridente caiu até agora.Um silencio total.
Ah!como é bom se sentir poderosa, pelo menos nesse quesito...
Ai! lembrei que ainda  não abri o registro da água...Será?




terça-feira, 21 de junho de 2016

Sonhei com você





                                                         22/06/1982-01/07/2006

Era uma tarde bem iluminada pelo sol e o colorido do dia me trazia um momento de felicidade.
Observei  numa multidão um moço igual a você.
Não resisti ,me aproximei e sussurrei:
Deixa eu te abraçar?É só um abraço de saudade.
Surpreso ao me olhar, o jovem deu um sorriso e consentiu.
Então eu dei um abraço amarrado com tantas lembranças,sentimentos e amor.
Não queria mais soltar.
Agradeci aquela gentileza e me afastei com o gosto apurado de tudo o que você foi.
Dormi novamente. Outro dia, outro sonho.
Nesse, você apareceu com um sorriso lindo, com a covinha bem a vista e olhando profundamente para mim disse:
Ontem você abraçou um moço para matar a saudade de mim, hoje eu vim para matar a saudade de você e me deu o abraço mais caloroso que  um humano poderia receber...
Acordei feliz, saciada, como quem sai de um festim.


Feliz aniversário Ricardo











terça-feira, 14 de junho de 2016

Reticências...






Numa leitura, quando muitas emoções se apoderam do seu coração e diferem entre si,as letras ganham pouquíssimo significado.
Não existe frase, palavra que consiga expor aquilo que não cabe em nossos pensamentos... Daí vem às reticências, que em seu silêncio te faz pensar, concluir, sonhar.
São pequenos pontos numa citação, que suspende a falácia e te faz mudar o olhar, desviar, respirar, suspirar, sorrir ou até soluçar. É a chance que se  ganha de entrar na história e dar seu toque emocional tornando o assunto mais pessoal.
No parágrafo, tudo volta ao normal.Todas as imagens e criações voam para fora da página  e o escritor volta a tomar conta da historíola....



domingo, 22 de maio de 2016

Momento seguinte







Por piores que pareçam as noticias que envolvem nossa vida a primeira vista, tendem a tomar um lugar mais confortável na nossa mente e coração com o passar dos dias. É como se todo o nosso sistema trabalhasse para harmonizar os novos episódios com nossa habilidade de seguir em frente. É o conhecimento interno dos nossos limites, trabalhando para nossa sobrevivência, com a finalidade de transformar a areia em pérola.  É a nossa vontade de viver fenomenal, que nos faz levantar, encarar os fatos e depois de um tempo, continuar a sorrir.
Que bom que existe o momento seguinte. Ele é a corda do nosso reboque, a mangueira do nosso incêndio, a bengala para nossa cegueira ou um sussurro do espírito.