quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Tirando os sapatos





Adoro salto alto. Passo a maior parte do tempo me equilibrando em cima de um.
Vermelho, azul, preto, lilás, não importa: _ Os saltos precisam ser altos!
Toc toc pra lá e toc toc pra cá, mesmo na faxina, eles estão nos meus pés.
Quando uma mulher como eu, que só não os usa para dormir, de repente, num acesso de fúria, os arranca dos pés e os joga bem longe, o melhor é correr, porque o bicho pegou e ele pode voar sobre a sua cabeça desavisada, na cabeça de alguém desafinado cantando uma ópera ou até sobre uma cara de paisagem...(Nem tanto) Mas hoje tirei meus sapatos, porque depois de dias atrás de um encanador para fazer parar os pingos irritantes do meu chuveiro,não apareceu um.
Atendiam o telefone, perguntavam o problema e diziam que viriam mais tarde.
Cansada de promessas enganosas, me armei das minhas três  únicas ferramentas - uma chave de fenda, um martelo e uma chave inglesa quem nem imagino como chegou aqui.
Desliguei a água da rua depois de ter tomado uma boa esguichada  gelada.
Não conseguindo desmontar a peça macabra, procurei ajuda no Google e por misericórdia do além, achei um site só para mulheres de salto como eu.Usei meus instrumentos da melhor maneira e consegui desmontar.
Levei numa casa especializada e eles aprontaram  um outro registro igualzinho para mim.
Ajustei o registro novamente, apertei o melhor que pude e tcham!,  tcham!,  tcham ! Vazou água por todos os lados. Não desisti, desmontei tudo novamente,coloquei mais uma borrachinha onde já tinha uma, apertei até minhas veias saltarem do pescoço e maravilha,estou aqui escrevendo o meu feito e nem uma gotinha estridente caiu até agora.Um silencio total.
Ah!como é bom se sentir poderosa, pelo menos nesse quesito...
Ai! lembrei que ainda  não abri o registro da água...Será?


eva giusti mooer

terça-feira, 21 de junho de 2016

Sonhei com você





                                                         22/06/1982-01/07/2006

Era uma tarde bem iluminada pelo sol e o colorido do dia me trazia um momento de felicidade.
Observei  numa multidão um moço igual a você.
Não resisti ,me aproximei e sussurrei:
Deixa eu te abraçar?É só um abraço de saudade.
Surpreso ao me olhar, o jovem deu um sorriso e consentiu.
Então eu dei um abraço amarrado com tantas lembranças,sentimentos e amor.
Não queria mais soltar.
Agradeci aquela gentileza e me afastei com o gosto apurado de tudo o que você foi.
Dormi novamente. Outro dia, outro sonho.
Nesse, você apareceu com um sorriso lindo, com a covinha bem a vista e olhando profundamente para mim disse:
Ontem você abraçou um moço para matar a saudade de mim, hoje eu vim para matar a saudade de você e me deu o abraço mais caloroso que  um humano poderia receber...
Acordei feliz, saciada, como quem sai de um festim.


Feliz aniversário Ricardo











terça-feira, 14 de junho de 2016

Reticências...






Numa leitura, quando muitas emoções se apoderam do seu coração e diferem entre si,as letras ganham pouquíssimo significado.
Não existe frase, palavra que consiga expor aquilo que não cabe em nossos pensamentos... Daí vem às reticências, que em seu silêncio te faz pensar, concluir, sonhar.
São pequenos pontos numa citação, que suspende a falácia e te faz mudar o olhar, desviar, respirar, suspirar, sorrir ou até soluçar. É a chance que se  ganha de entrar na história e dar seu toque emocional tornando o assunto mais pessoal.
No parágrafo, tudo volta ao normal.Todas as imagens e criações voam para fora da página  e o escritor volta a tomar conta da historíola....



domingo, 22 de maio de 2016

Momento seguinte







Por piores que pareçam as noticias que envolvem nossa vida a primeira vista, tendem a tomar um lugar mais confortável na nossa mente e coração com o passar dos dias. É como se todo o nosso sistema trabalhasse para harmonizar os novos episódios com nossa habilidade de seguir em frente. É o conhecimento interno dos nossos limites, trabalhando para nossa sobrevivência, com a finalidade de transformar a areia em pérola.  É a nossa vontade de viver fenomenal, que nos faz levantar, encarar os fatos e depois de um tempo, continuar a sorrir.
Que bom que existe o momento seguinte. Ele é a corda do nosso reboque, a mangueira do nosso incêndio, a bengala para nossa cegueira ou um sussurro do espírito.


domingo, 15 de maio de 2016

"Maluco Beleza"



Ser maluco é, mesmo com sua aquarela em tons de cinza, arriscar numa obra de arte monocromática e se achar um Van Gogh;  subir no telhado para consertar telhas quebradas e ficar por lá admirando a paisagem; não ligar de comer formigas porque a fatia de pizza esta uma delicia;  ter 62 anos e acreditar que o horizonte ainda lhe permite correr velozmente; se sentir segura quando o chão do mundo treme sob seus pés;  estar cercado pelo vazio e se sentir cheia de alegria e paz; a certeza que seu filho que partiu há 10 anos, ainda esta perto de você;  a alegria de acordar todas as manhãs e achar que algo de bom vai acontecer...
"Maluco beleza”. Não poderia ter elogio maior.



segunda-feira, 25 de abril de 2016

Teatro







Minha primeira aula de teatro.
Eu estava tão animada, tinha esperado um longo mês para isso.
Chegando na sala, o professor traçou duas retas paralelas e gritou: vocês são sapos, pulem de onde estão para o outro lado.
A moçada se pôs a coaxar, deitaram todos no chão e começaram a pular para o outro lado. 
Claro que eu fui andando.
O professor brabo, perguntou por que eu não estava pulando e eu respondi que era um sapo evoluído que tinha aprendido a andar. Mandou que eu ficasse no fundão e viesse pulando. Professor ,faz muito tempo que eu deixei de ser um girino, não tenho como sair pulando pelo chão. 
Conclusão; fiquei numa cadeira sentada comendo mosquito até que todas as rãs e sapos obedecessem adestradamente a ordem do seu adestrador... E assim foi o meu primeiro e último dia de aula de teatro. 
Com tantos bichos, tinha que ser um sapo?


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Meu cafofo






Meu cafofo parece uma toca.
Toco isso estoco aquilo, boto tudo do que gosto.
Sinto cheiro de comida de bolo e tapioca.
Tem sofá bem rechonchudo, pra sentar e bobear.
Tem quadros e castiçais, para as paredes faceirar.
Tem livros e estatuetas, tem cor e leveza.
Tem vida tem harmonia, alegria e ligeireza.
Tem paz, tem sono gostoso, tem banho que refresca.
Tem árvores no jardim, tem cachorro no quintal.
Tem visitas que aparecem pra ficar e cochilar.
Gente que festeja,mesa que reúne, braços que apertam, joelhos que se dobram...
No meu  espaço, sempre cabe mais um.